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carreira · entrevistas

A entrevista começa
antes da resposta.

Como você se comunica durante a entrevista importa tanto quanto a solução.
O que fazer — e o que evitar — quando a câmera está ligada.

Entender o que avaliam →

O que o entrevistador está avaliando

Entrevistas técnicas parecem ser sobre resolver o problema certo. Mas a maioria dos entrevistadores está prestando atenção em outra coisa também — como você pensa, como você se comunica e como você lida com o desconhecido.

Um candidato que resolve o problema em silêncio e entrega a solução no final frequentemente perde para alguém que pensou em voz alta, fez as perguntas certas e chegou numa solução parecida — mas deixou o entrevistador acompanhar o raciocínio.

O entrevistador vai trabalhar com você todos os dias. Ele quer saber: como é fazer pair programming com essa pessoa? Como ela reage quando não sabe algo? Como é pedir ajuda a ela?

Antes de responder — trate a pergunta

O erro mais comum é começar a resolver antes de entender o problema. Isso sinaliza ansiedade e falta de método — duas coisas que assustam em qualquer nível.

01
Repita o problema com suas palavras
"Só pra garantir que entendi — você quer que eu implemente X com a restrição Y?" Confirma o entendimento e mostra que você não vai resolver a coisa errada.
02
Faça perguntas antes de começar
Sobre escala, restrições, edge cases, o que importa mais. Perguntar não é fraqueza — é como engenheiros reais trabalham. Silêncio seguido de solução incompleta é pior.
03
Pense em voz alta desde o início
Não espere ter a solução para falar. Verbalizar o raciocínio — mesmo incompleto — permite que o entrevistador acompanhe e avalie como você pensa, não só o que você produziu.
04
Proponha uma abordagem antes de codificar
"Vou começar com O(n²) e depois otimizar se der tempo — faz sentido?" Evita retrabalho e mostra que você tem método.

Pensar em voz alta — na prática

A mesma pergunta, dois candidatos. Veja a diferença do ponto de vista do entrevistador:

❌ candidato em silêncio entrevista técnica
entrevistador Dado um array de inteiros, encontre dois números que somam um valor alvo.
[ 4 min ] candidato digita em silêncio. entrevistador não sabe se está travado ou pensando.
candidato Pronto. Aqui está a solução.
entrevistador Ok. Qual a complexidade disso?
candidato É... O(n) acho. Ou O(n²). Deixa eu ver de novo.
[ resultado ] solução correta, mas o entrevistador não sabe como o candidato chegou lá nem se entendeu o que fez.
✓ candidato pensando em voz alta entrevista técnica
entrevistador Dado um array de inteiros, encontre dois números que somam um valor alvo.
candidato O array pode ter duplicatas? E o resultado sempre existe?
entrevistador Pode ter duplicatas. Pode assumir que sempre existe um resultado.
candidato Minha primeira ideia é força bruta — dois loops, O(n²). Funciona mas dá pra otimizar com um hash map pra O(n). Começo pela otimizada?
entrevistador Pode ir direto para a otimizada.
candidato Ok — vou iterar pelo array, pra cada número vejo se o complemento já está no mapa, senão adiciono o número atual...
[ resultado ] entrevistador acompanhou todo o raciocínio, pôde ajudar em um ponto, e ficou confiante no método do candidato.
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Quando você não sabe a resposta

Vai acontecer. O que você faz nesse momento é tão revelador quanto saber a resposta.

❌ o que não fazer quando não sabe
entrevistador Como funciona o garbage collector do Go?
candidato Hmm... não lembro bem. Acho que é mark and sweep? Não tenho certeza.
[ silêncio ] candidato não avança. entrevistador passa para o próximo tema constrangido.
✓ como lidar bem quando não sabe
entrevistador Como funciona o garbage collector do Go?
candidato Não tenho isso na ponta da língua, mas pelo que sei de GCs em geral, costumam usar mark and sweep ou gerações. No Go o objetivo é baixa latência — imagino que usa uma abordagem concorrente pra não parar o programa. Estou no caminho certo?
entrevistador Basicamente sim — é um GC concorrente com tri-color marking.
[ resultado ] candidato não sabia, mas mostrou raciocínio, honestidade e como chegaria à resposta na vida real.

O que nunca fazer

Comportamentos que eliminam candidatos independente da solução técnica:

❌ nunca faça isso
Fingir que sabe algo que não sabe Resolver em silêncio total por minutos Criticar a empresa ou tech stack deles Interromper antes do entrevistador terminar Não fazer nenhuma pergunta no final Falar mal do emprego anterior Perguntar sobre salário antes do RH trazer
✓ sempre faça isso
Admitir quando não sabe — e raciocinar em voz alta Confirmar o entendimento antes de começar Propor uma abordagem antes de implementar Pedir feedback quando travar: "estou no caminho?" Perguntar sobre o time, processo e desafios reais Agradecer e pedir próximos passos ao final Mandar um e-mail de agradecimento no dia seguinte

As perguntas do final — não desperdice

"Você tem alguma pergunta pra mim?" é parte da entrevista — não cortesia. Não fazer perguntas ou fazer perguntas óbvias sinaliza falta de interesse genuíno.

Perguntas que revelam maturidade: "Qual é o maior desafio técnico que o time enfrenta agora?", "Como é o processo de code review aqui?", "O que você mudaria no ambiente de trabalho se pudesse?"

Tem mais sobre comunicação no trabalho em semrodeios.dev.br

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